Nóz
"A camada de poeira sobre os anosos móveis estão me inspirando, pois brilham e refletem da sombra mais clara. A Lua está lá fora sentada na esquina, orvalhando as relvas que borbulham sobre os muros inacabados onde se escondem uma rotina truncada.
Eis que, na sala, onde as paredes de madeira com um toque mesclado com verniz vinho tinto, formam mandalas sonoras enquando seu nome é aclamado pela voz solitária do mais profundo desejo do meu eu.
Abro a janela que já estava aberta, para que o eco do meu ego amenize-me. Foi que ascendi um incenso que expeliu por horas intensas do mais puro trescalo do igualável ápice em que passei nas noites inacabadas com você. Desenredei que, nem a mais macia das pétalas de uma rosa se compara à maciez e a real beleza da sua pele, minha amada. Nem mesmo a sua olência libertina natural se iguala aos seus eflúvios lapidados para mim...
Me tornei parte deste lugar, nos fundos daqui há uma fonte de nostalgia, de onde bebo para saciar a melancolia. Há também uma doce macieira, onde dalí criamos o vício pelo intenso prazer e pela alta sabedoria.
As minhas noites depois que você partiu, viram dias cinzentos que eu apenas apago no cinzeiro da mesa central. A minha vida acaba aqui, pois sem você, nada é real."