Reticências

''Siga-me'', foi a última coisa que ela disse. Larguei meu caderno de versos livres, larguei minha nova caneta de exterior errôneo, larguei todas as coisas ruins que impediam-me de passar pela porta estreita do final do corredor que, nem possui um começo sequer. Na verdade ela não disse nada, apenas depois de cravar seu olhar em mim por dez segundos perdidos no tempo, com suas pupilas enormes e lábios acerejados densos, o silêncio falou tão alto que me emprazou. Ela deu às costas a mim e seus suaves fios de cabelo deslizaram pelos meus dedos até seus epílogos, eu estava sentindo o medo perdido de onde iria. Ventava forte no interior do corredor, as janelas se abriam, empurrando para fora o excesso de serenidade. Quando olhei para atrás, não havia caderno, nem caneta, nem a porta estreita quando voltei a olhar para frente. Simplesmente havia silêncio. Eu o via e não ouvia.

Calei-me. Não via mais nada, pois a luz deixou de exercer sua função.
Calei-me. Um fio de cabelo seu estava em minha mão.
Vociferei-me. É apenas um pesadelo.

A caneta, o caderno, a porta; surgiram do nada. Não controlo meus sonhos. Você voltou de um lugar totalmente calada, expectando-se para murmurar em meus ouvidos no momento certo:

- senti sua falta, eu te amo!

Vou voltar a dormir para a ouvir mais...